Há mais de dois meses, a falta do medicamento Hemax (Eritropoetina) nas unidades responsáveis por sua distribuição na cidade está prejudicando o tratamento de pessoas com doenças renais, câncer e anemia. O problema afeta mais de 400 pacientes de Mossoró e região.
O medicamento é utilizado para aumentar o nível de hemácias (glóbulos vermelhos) no sangue, que resulta no controle da anemia. Desse modo, o Hemax é essencial para o tratamento de doenças como câncer, além de ser indispensável após cada sessão de diálise.
No município, o Centro de Hemodiálise de Mossoró e a Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), da II Unidade Regional de Saúde Pública (II Ursap), recebem o medicamento da Unicat de Natal e faz o repasse para os pacientes. No entanto, há meses esses órgãos não dispõem de quantidade suficiente do remédio para atender toda a demanda da região.
No mês passado, o Centro de Hemodiálise fez o pedido de 1.995 unidades do Hemax, mas recebeu apenas 600. Neste mês, a situação ficou ainda mais grave, pois, até o momento, não chegou nenhuma unidade da encomenda solicitada pelo órgão.
"Desde o início do ano, os pacientes vêm sofrendo com esse déficit do remédio", informa a presidente da Associação dos Renais Crônicos de Mossoró (Arcam), Lucimar Gomes. Ela destaca que cerca de 150 pacientes que fazem tratamentos de diálise estão aflitos com a falta do Hemax.
Segundo Lucimar Gomes, muitos pacientes estão internados, em consequência desse problema e outros precisam fazer transfusão de sangue para darem continuidade ao tratamento. Ela confessa que todos estão muito preocupados, pois "sem o Hemax, não há como controlar a anemia. Por isso, o tratamento inevitavelmente ficará prejudicado", afirma.
O problema da falta do medicamento ainda reflete nos pacientes que estão na fila de transplante. Lucimar Gomes explica que o paciente que fará transplante não pode fazer uma transfusão de sangue. Todavia, este procedimento precisa ser realizado com frequência, em virtude da situação descrita.
Conforme o pastor Francisco Vilmar da Silva, se a situação não for resolvida o mais rápido possível, a probabilidade de que muitos pacientes não resistam ao tratamento é muito grande. "O medicamento não tem para vender nas farmácias e é essencial para pacientes que fazem tratamento de diálise. Sem ele, muitos dos pacientes podem morrer", prevê o paciente.
O mesmo drama também está sendo vivenciado pelos pacientes atendidos pela Unicat de Mossoró. Cerca de 300 pacientes com câncer e anemia também estão sofrendo as consequências da falta do Hemax nas prateleiras da unidade.
De acordo com a gerente da unidade, Roberta Fernandes, o órgão já fez o pedido do medicamento e está aguardando a sua chegada. "Acredito que até o final da semana o Hemax esteja disponível para os pacientes", disse. Ela acrescenta que os laboratórios de Natal estão demorando a repassar o medicamento. "Talvez este seja o motivo do problema", deduz.
O promotor da Saúde, Guglielmo Marconi, já tomou conhecimento do caso pelas próprias unidades. Ele informa que requisitou informações da Unicat de Natal sobre a demora na entrega do medicamento e deu prazo de dez dias para o órgão apresentar justificativas. "Dependendo da resposta da unidade, serão tomadas as providências cabíveis", frisa o promotor.
A equipe de reportagem do jornal O Mossoroense entrou em contato com a Unicat de Natal, através do telefone (84) 3232-6842, para saber mais informações sobre a questão. Porém, o responsável pelo setor não se encontrava na unidade.


